Clarindo Junior

Tive o prazer de tocar com Silvestre Kuhlmann: Louvor ao Doador da vida.

12 de setembro de 2017 por Clarindo Junior | Comentários desativados em Tive o prazer de tocar com Silvestre Kuhlmann: Louvor ao Doador da vida.

Tive privilégio de acompanhar Silvestre Kuhlmann na sua linda música LOUVO AO DOADOR DA VIDA, em sua apresentação no IV Conferência Betel de Teologia, na Igreja Batista Betel de Mesquita-RJ. Admiro muito esse cara fera. Deus o abençoe!

A busca pelo sentido da vida.

15 de junho de 2014 por Clarindo Junior | 0 comentários

Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.
Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite mostra sabedoria a outra noite.
Não há linguagem nem fala onde não se ouça a sua voz.
(Salmos 19:1-3)

planetaO homem vive uma busca constante pelo sentido da vida. Ele tenta entender coisas que fogem da compreensão humana, que fazem parte de um universo com segredos jamais desvendados pela mente humana. Vivemos num mundo com dimensões magníficas: com cinco continentes, três mares com grandes profundidades, matas virgens jamais exploradas, uma diversidade de animais impressionantes e uma população de aproximadamente sete bilhões de habitantes. A verdade é que o homem atribui tudo isso a um processo de criação e, consequentemente, a existência de um Grande Arquiteto, do Incondicional, do Transcendente, de um Maestro regendo todas essas coisas. Logo surge uma pergunta que todas as gerações da terra tiveram que encarar: De onde viemos e para onde vamos? Quem nós somos? Quem criou o universo? Existe vida após a morte? Essas indagações são a busca do homem pelo sentido da vida, de sua origem e da sua existência.

Essa busca quase sempre nos remete a questão da religião, pois acreditamos ter um grande responsável por traz de tudo. Religião no latim é “religio”, que designava respeito, reverência pelo sagrado. Numa outra forma é “religare”, que significa religar o homem ao divino. É comum ao ser humano atribuir ao Sagrado, ao Uno Primordial, ao Ser Supremo questões como o princípio de todas as coisas. A teologia reformada chama essa busca pelo Sagrado de “senso do divino”. Calvino utilizava a expressão do latim chamada “Sensus divinitatis”, que significa sentimento de divindade, que é dado aos homens o conhecimento de Deus. Ele trabalha esse conceito no sentido de que o homem carrega dentro de si a presença, o sentimento, o senso do seu criador. Por isso o ser humano vive uma busca incansável pelas coisas referente ao sagrado. Logo surge outro questionamento: como toda a criação se mantém em equilíbrio há tanto tempo? Como explicar isso?

Os cristãos creem que Deus, por meio da sua palavra (logos) criou todas as coisas. Segundo a narrativa de Gênesis 1.1-3, antes de tudo, o que existia era somente o caos, algo informe e vazio, um ambiente de muitas águas.

No princípio criou Deus o céu e a terra. E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas. E disse Deus: Haja luz; e houve luz” (Genesis 1.1-3). Em João 1.1-3, o autor chama o ato da criação de  logos. “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.

Vemos nesta narrativa a palavra que cria, a palavra que se personifica em Jesus, o Verbo que virou gente e que estava com Deus desde o princípio. Segundo o texto, por meio dele todas as coisas passaram a existir. É Deus imanente, é o Logos de Deus. A tradição cristã trabalha o logos como o princípio de toda a existência e aponta para Jesus Cristo como o sentido da vida humana.

Peter Berger fala que Deus, desde o início se revela ao homem, e tudo que o homem faz de bom é uma resposta em amor a essa revelação. Jesus Cristo é a maior imagemdemonstração da revelação de Deus a toda criação. É o próprio Deus que se esvazia da sua glória e se faz homem. Ele deixa a transcendência para viver a imanência. Deixa toda a sua glória para viver a experiência da humanidade. Em relação a isso Leonardo Boff escreveu: “Tão humano assim, só pode ser Deus”. Logo todo ato bom dos homens é uma resposta à ação primeira de Deus, que é coroada na pessoa de Jesus Cristo. As ações como bondade, misericórdia, compaixão nascem em Jesus e se estendem a nós. Jesus é o nosso modelo, o nosso referencial e sentido da nossa vida. Atos 17:28 nos traz essa linda confirmação: “Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos; como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois somos também sua geração”.

O senso pelo Sagrado, a busca pelo sentido da vida continuará sendo a busca incansável do homem pelos mistérios do Criador. A criatura olha à sua volta em busca do seu Criador, o finito tenta perscrutar os caminhos do Infinito, das coisas do Imensurável. Rudolf Otto traz algo interessante quando se fala da experiência do homem com o Sagrado. Para isso ele trabalha o significado de mysterium, tremendum et fascinans. É mistério porque se trata de algo que está para além da realidade humana; tremendo porque causa temor; e fascinante porque é atraente, conquista e atrai para perto de si.

Agora, como tornar possível a relação entre humanidade e divindade, imanência e transcendência, homem e o Sagrado? As escolhas de Jesus nos indicam como deve ser a nossa relação com Deus e com o mundo à nossa volta. O exemplo de vida de Jesus nos mostra que não é preciso subir às regiões celestiais nem acessar o sobrenatural para viver a experiência com Deus. É mais fácil do que imaginamos. O Pai já se revelou à nós por meio do Filho, e o faz até hoje. Não se trata de um Deus tão poderoso que está bem distante de nós. Ele deixa de ser Senhor para ser servo ( Mc 10,45) e nos convida para algo mais íntimo, para sermos Seu amigo (João 15.15). A melhor forma de experimentar a Deus é viver intensamente a humanidade, como ele mesmo fez. Diferente de muitos que querem ver a glória, a shekinah, Jesus faz o caminho inverso, ele deixa a glória para viver a humanidade e servir aos homens. Portanto, se queres servir a Deus, faça como Jesus fez, serva aos homens e estarás servindo a Deus. Dessa forma, o ser humano começa a encontrar o seu sentido de ser e de existir, o verdadeiro sentido da vida.

Forte abraço e que o Criador Criativo os abençoe.

Clarindo Junior

É chegado o "Reino de Deus".

19 de setembro de 2012 por Clarindo Junior | Comentários desativados em É chegado o "Reino de Deus".

 “Ora, depois que João foi entregue, veio Jesus para a Galileia pregando o evangelho de Deus e dizendo: O tempo está cumprido, e é chegado o reino de Deus. Arrependei-vos, e crede no evangelho”.  (Marcos 1:14-15)

Foto3...Reino de Deus” – expressão inaugurada por Jesus, e uma das mais faladas entre os cristãos. Ela aparece também diversas vezes no Novo Testamento, principalmente, nos evangelhos, e muitas ditas pelo próprio Jesus: “É chegado o Reino dos Deus” (Mc 1.15). É o próprio Deus que se esvazia da Sua glória, se torna homem e introduz o Seu reino na terra, pois nasceu o Salvador. Jesus, o Cristo (também conhecido como o Messias), aquele que redime o homem do pecado, viveu os seus dias aqui na Terra intensamente como homem, experimentou frio, fome, tristeza, alegria, chorou, entre outros. Fazia parte do seu modus vivendi (modo ou maneira de viver) conviver com alegrias e dores, colocando em prática o amor até as suas últimas consequências; sendo a maior expressão do amor de Deus pelo homem.

O grande escritor Leonardo Boff, em seu livro “Jesus Cristo Libertador”, nos deixa uma frase muito oportuna para o tema: “só sendo Deus para ser tão humano assim”. Na verdade, Jesus veio para estabelecer um reinado de igualdade entre ricos e pobres, doutores da lei e simples camponeses, um reino onde o maior serve o menor e vice-versa. Por onde Jesus passava, direcionava sua atenção para pessoas que ninguém queria cuidar, gente sem dignidade, sem vez e sem voz. Por isso, para o rei e os religiosos da época, Jesus parecia ser um representante político, pois sua mensagem reunia multidões, conquistando a confiança do povo. No entanto, despertava a desconfiança dos representantes políticos e religiosos da época: fariseus, saduceus e escribas, que começaram a impor-lhe grande perseguição e levantar dúvidas no meio do povo a seu respeito.

David Bosch em seu livro “Missão Transformadora”, muito nos ensina sobre a ação do reino de Deus, por meio de Jesus Cristo e do cristianismo relevante para o Seu tempo. A vida e missão de Jesus transformaram as grandes multidões em muito mais do que seguidores: discípulos convictos da obra redentora e da Sua chegada como o Messias tão esperado pelo povo.

Agora, o que é preciso para fazer parte do Reino de Deus? Quem pode fazer parte desse reino? Segundo o exemplo de Jesus, é preciso ser servo e discípulo. É preciso querer servir, se compadecer e amar sem escolher a quem. Vemos isso em Mc 10.43-45, quando Jesus disse aos seus discípulos: “Pois nem mesmo o Filho do homem veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos”.  Isso deixa claro que Reino de Deus é serviço, pois há muito para fazer. Jesus chama de discípulos aqueles que entenderam a Sua missão e por Ele é motivado a viver profundamente o amor.

Ser discípulo de Jesus requeria dedicação e entrega da própria vida. Ele utilizava o método de discipulado rabínico para ensinar aos seus discípulos os procedimentos do reino de Deus. No judaísmo antigo, o talmidim era o discípulo do rabino, um estudioso da lei. Ele tinha como prazer imitar o seu mestre e um dia também se tornar um mestre da lei. Os discípulos de Jesus aprendiam e se espelhavam em Jesus. Entretanto, o que os tornava diferente era que, depois de todo o conteúdo prático aprendido com Jesus, eles continuavam sendo servos. Seguir a Jesus não significa somente passar adiante seus ensinamentos, mas ser sua testemunha genuina. O estilo de vida de Jesus e sua compaixão pelas pessoas produziam muitos discípulos por onde Ele andava. Em Mt 6.34 nos traz um exemplo muito peculiar dessa compaixão: Quando Jesus saiu do barco e viu tão grande multidão, teve compaixão deles e […] ensinou-lhes muitas coisas”. Compaixão significa sentir a dor do outro. Era isso que tornava Jesus diferente dos religiosos de sua época. Quando colocamos isso em prática, o cristianismo se torna relevante em nossas vidas e no contexto em que estamos inseridos.

Em sua passagem pela Galileia, Jesus, além de pregar nas sinagogas, expulsava muitos demônios. Nesse ínterim, Jesus realizou mais um dos Seus milagres, curando um leproso com apenas um toque. Imagine o que significou para aquele leproso receber o toque de Jesus. Naquela época, o leproso não podia caminhar em meio ao povo nem levar seus sacrifícios ao templo. Restava-lhe andar pelos arredores da cidade, refugiado do convívio social. O toque de Jesus, além de curá-lo do seu mau físico, o curou dos seus traumas e complexos, reintegrando-o à sociedade. Em Mc 1.41, relata que após ficar curado, aquele homem foi ao templo, totalmente limpo, levar sacrifícios de gratidão pela sua purificação.

Viver o Reino de Deus é olhar para o ser humano como Jesus olhou para aquele leproso, com um olhar de compaixão e puro amor. É preciso ver o ser humano de forma integral, todo o amor de Deus alcançando o homem na sua integralidade. Jesus Cristo veio devolver àquele homem a sua dignidade, reestabelecer relacionamentos, trazendo-lhe de volta a autoestima, para um homem que há muito tempo vivia a margem da sociedade. Se, portanto, indagássemos a esse homem sobre o reino de Deus, certamente ele responderia: “É chegado o Reino de Deus”.

Que o Criador Criativo o abençoe.

Clarindo Junior

No vai e vem das ondas…

5 de novembro de 2011 por Clarindo Junior | Comentários desativados em No vai e vem das ondas…

img1Este tema nos remete ao texto bíblico de Mateus 8,23-27, em que Jesus e seus discípulos, ao atravessarem o Mar da Galileia, também conhecido como Lago Genesaré, são surpreendidos por terrível tempestade. Escolhi este tema, pois, acredito que nas tempestades, no vai e vem das ondas somos levados a grandes aprendizados e mudanças significativas na nossa vida. João Ferreira de Almeida, ao traduzir esta perícope colocou como tema “Jesus acalma a tempestade”. A narrativa bíblica nos mostra que, após Jesus ter entrado no barco, os seus discípulos O seguiram. Vemos nos Evangelhos que seguir a Jesus era algo muito comum, coisa que não só os discípulos faziam, mas uma grande multidão de desesperançosos com o governo e autoridades judaicas da sua época, muitos que precisavam de um milagre, e mais aqueles que criam na Sua proposta de vida e missão.

No versículo 24, vemos que a tempestade aparece logo depois que os discípulos resolveram segui-Lo, e entraram no barco. Talvez para Jesus e Seus discípulos, a tempestade seria a travessia para o “outro lado”, considerado por eles um território estranho e de gente “impura”. Ir para lá significava se expor a alguns perigos, dentre eles, encarar o endemoninhado geraseno, o primeiro vento forte. Ao levantar dos ventos e balançar das águas, eles logo chamam por Jesus. O engraçado é que, quando eles olham para o lado, percebem que Jesus dorme despreocupadamente um sono tranquilo. Eles devem ter se perguntado: “Como Ele consegue dormir em meio ao mar tão revolto, ondas que sacodem o barco a ponto de quase virá-lo e ventos que causam arrepios até na alma?” Em seguida, desesperadamente eles gritam: Mestre, salva-nos! Mas, como assim? São experientes pescadores, pedindo a Jesus que os ajude em meio ao vai e vem das ondas? De repente o inesperado acontece, Jesus acalma a tempestade, e fez-se grande calmaria.

Esse texto nos leva a algumas reflexões preciosas: primeiro, quando os discípulos resolveram seguir a Jesus grande tempestade se levantou. Você percebe que, quando eles resolveram atravessar para o outro lado, a tempestade foi o grande obstáculo da vida deles. Ela vem com seus ventos e ondas com tamanha força, que parece querer pará-los a qualquer custo, submergindo o barco. Aprendemos aqui que só as grandes travessias têm grandes tempestades. É preciso encará-las. Segundo, a vida com Jesus não significa ausência de problemas, ou promessa de bem estar o tempo todo. Contudo, é visível a presença e a companhia de Jesus, que tem o domínio sobre o vento e o mar, até mesmo das turbulências da vida. Aprendemos que é melhor a experiência a tempestade com Jesus do que a calmaria de uma vida insossa e sem desafios. Terceiro, não podemos permitir que as tempestades desfaleçam a nossa fé, elas existem para nos fortalecer e tornar-nos homens melhores. A fé é um dom divino, logo precisamos pedir o Seu auxílio nos momentos difíceis. Estejamos convicto de que no barco da nossa vida está Jesus, alguém a quem até o vento e o mar o obedecem. É certo que fortes tempestades sempre existirão na nossa vida, mas saiba, portanto, que no vai e vem das ondas, a fé em Jesus é o fator determinante para alcançarmos a tão desejada paz” 

Deus o abençoe, Clarindo Junior.

Canto – (Clarindo Júnior) H2O Happy Hour Oásis

Imagens do H2O – Happy Hour Oásis, realizado na Sociedade Bíblica do Brasil. Na banda:  Adriano Carvalho (bateria); Ramon Crhystian (guitarra);Clarindo Junior (violão e voz), Abraão Fernandes (percussão) e Lucas Almeida (baixo).

A Palavra que cria e gera vida

23 de julho de 2011 por Clarindo Junior | Comentários desativados em A Palavra que cria e gera vida

PlanetaNão é difícil olharmos admirados as fontes naturais que nos rodeiam como: sol, lua, montanhas e outros tão admiráveis. Logo pensamos na criação do Cosmos (do grego κόσμος “universo”) e nos perguntamos como poderia ter sido esse processo. O livro de Gênesis nos capítulos 1-2.4a nos apresenta a História das Origens, na qual Deus (Elohim) decide criar todas as coisas. Faz parte desse projeto de criação: céus, terra, árvores, animais, noite e dia, luz e coroando a criação, homem e mulher. Nesse cenário de formação de todas as coisas, Deus deixa rastros divinos, marcas de um Deus inteligente, criador por excelência e dono do maior projeto arquitetônico de todos os tempos.

Estamos diante da narrativa bíblica chamada Cosmogonia, que vem de κοσμογονία, palavra grega que significa nascimento do universo (κόσμος “universo” e γονία “nascimento”). Estamos falando do nascimento de todas as coisas. Deus, o nosso maestro e grande arquiteto cria a partir do caos, ou seja, de um ambiente sem forma, destituído de vida, um lugar de muitas águas. Diante desse ambiente sem forma traz a existência tudo o que há no mundo. É difícil imaginar o universo sendo formado a partir de algo informe, mas nas mãos de Deus é como madeira nas mãos do carpinteiro, ouro nas mãos do ourives e barro nas mãos do oleiro. Assim Deus faz: transforma o caos em cosmos.

A partir da Sua palavra (logos), Deus cria progressivamente todas as coisas, primeiro Ele prepara os ambientes, depois toda forma de vida e, finalmente, cria o homem e a mulher com suas próprias mãos. Paul Tillich em sua teologia Sistemática aborda sobre a “Teologia da Palavra”, seria a palavra falada. À medida que Deus falava, as coisas iam se formando, cada uma no seu devido lugar.

Nesse processo de criação, vemos um plano perfeito e características que só encontramos em Deus. Ele trazer à existência todas as coisas, deixando-as em perfeito equilíbrio e pleno funcionamento. Só a Sua palavra cria e gera vida num ambiente sem perspectiva. Vale ressaltar alguns elementos que nos chamam atenção nessa criação.

A partir do caos, Deus dá início a todas as coisas – A palavra de Deus tem o poder de criar qualquer coisa. Deus fala e, simplesmente, acontece. Deus não precisa falar duas vezes. Quando Ele diz, o cenário de desordem passa a ter ordem. Somente Deus na ausência de vida pode gerar vida.

Deus é organizado e estratégico na Sua maneira de criar –  Entre os vs 3 ao 27, percebemos a estratégia de Deus em todo o processo. No vs. 11 relva e árvores frutíferas só foram criadas depois da criação da terra, confira no vs. 10. Outro exemplo são os peixes criados entre os vs. 20 e 21. Entretanto, isso só foi feito depois da criação dos mares no vs. 10. Finalizando a criação, Deus cria homem e mulher, mas depois de ter criado as outras coisas necessárias para sua sobrevivência.

Deus deu ao homem o “governo” com toda a criação – Em Gn 1.26, Deus entrega ao homem a responsabilidade de governar com todas as coisas. Mas, um governar com cooperação, sem subjugar. Isto coloca sobre o homem incumbência de cuidar da criação, reproduzindo o modelo de Deus.

Nessa narrativa bíblica é possível extrair alguns ensinamentos para nossa vida. À medida que mergulhamos no texto percebemos como é tão atual para os nossos dias. Esta forma tão organizada de criar aponta para um Deus que sonha, projeta, cria, abençoa e dá à sua criação a manutenção da vida. Vamos pontuar alguns elementos importantes para nossa fé:

O Criador tem total controle sobre sua criação – No vs. 1 vemos que foi Deus quem criou todas as coisas. Sendo Deus o criador, Ele tem total controle sobre sua criação, não havendo nada que o pegue de surpresa. Logo, Deus pode todas as coisas sobre sua criação, inclusive, intervir sobre qualquer situação aparentemente sem perspectiva de mudança. Todos os desejos e sonhos precisam ser colocados diante daquele que tem total controle sobre a vida humana.

Quando Deus diz, simplesmente acontece No vs. 3 ao 25 Deus diz: “haja… houve” e  “produza… produziu”.  Alguns estudiosos apontam para a chamada “Teologia da Palavra”. Basta uma palavra de Deus para as impossibilidades da vida se tornarem possíveis. Isso nos indica que, quando perdermos o controle das coisas e se estabelece um clima de desespero, existe um Deus (Elohim), que com apenas “uma Palavra” pode mudar qualquer situação.

Criados à imagem, conforme a semelhança de Deus – Não se trata de semelhança física, mas implica em semelhanças que refletem os atributos do próprio Deus, que a teologia chama de atributos comunicáveis. Isso significa que só conseguimos amar, porque Deus nos amou primeiro, sendo então, o amor que sentimos uma extensão do Seu amor. Nesse sentido, a fidelidade que praticamos, o amor que dedicamos, a justiça exercida, uma ação de misericórdia, a bondade e a sabedoria são expressões dos atributos divinos. isso só é possível porque o homem carrega em si o DNA de Deus.

Tudo quanto Deus faz é bom – No vs. 28 Deus após criar homem e mulher os abençoou. Imagina-se que Deus após criar todas as coisas, consagrou-as num ato de satisfação. Deus por vontade própria e desejo do Seu coração faz todas as coisas e se alegra com os seus feitos. Vemos isso no versículo 31a “Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom…” Somos a excelência de toda a criação e especiais aos olhos do Senhor.

O Deus que cria é o mesmo que mantém – Nos vs. 29 e 30, Deus providencia todo o mantimento necessário para o sustento do homem. Vemos que Deus cria o homem depois que toda estrutura para sua sobrevivência está estabelecida. “…toda a erva que dá semente sobre a terra, e todas as árvores frutíferas lhe servirá de mantimento”. Isso significa que a roupa, o alimento, a moradia não faltará, pois tudo o que Deus criou nos servirá para a manutenção da vida.

Diante de tudo que já vimos até aqui, percebemos que toda a criação é especial para o seu Criador. Vimos também como a História das Origens nos motiva diante dos desafios e surpresas da vida. A cada dia percebemos como está difícil viver no nosso planeta. A ação humana vem mudando o que foi estabelecido por Deus, trazendo consigo catástrofes, doenças, guerras e tantas outras coisas. Não podemos perder a esperança, pois perseverar é preciso. É preciso rever a nossa cosmovisão, repensar a postura diante de tudo que Deus nos deu para juntos governarmos. Mesmo que a esperança pareça acabar, podemos alimentá-la na visão de João, escrita em no livro de Apocalipse, capítulo 21, onde Deus o mostra novo céu e nova terra, porque o primeiro céu e a primeira terra se passaram. Mesmo com o fim de todas as coisas, a nossa esperança precisa estar em Deus, pois só Ele tem “a Palavra que cria e gera vida.”

 

Confira abaixo um dos vídeos de Clarindo Junior. Vá em Mídias/Vídeos e confira outros vídeos.

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Imagens do Show no Palácio das Artes em Jequié-Bahia, onde Clarindo apresenta músicas do CD “Por Toda Vida”. Na banda: James Mello (teclados); Oswald Filho (bateria); Amós (guitarra); Lucas Cruz (violão) e Urley (baixo).