Clarindo Junior

Textos

escrever

Alguns momentos sou levado a produzir alguns textos por pura inspiração ou experiência do dia-a-dia. Confesso que escrevo pouco, mas alguns temas mexem comigo e sou levado a escrever sobre eles. Leia alguns desses textos abaixo:


A Música!

Tenho a música como grande aliado na vida. Por meio dela me expresso, comunico, louvo, levo esperança e muitos dos meus questionamentos. Quando canto transmito amor, paz, alegria, beleza e, também, os meus anseios. Em alguns momentos nela me reservo e na solitude me recolho. Cantando compartilho coisas do meu particular, sempre procurando transmitir o melhor de mim. Por fim, nela me realizo, encontro contentamento e proporciono momentos inesquecíveis a muitos que me ouvem. Ouça uma boa música, pois são muitos os seus benefícios.


  A ARTE: deixe que ela dê o tom e emoção à sua vida.

A arte tem uma função social importante. Ela faz parte da linguagem humana e por meio dela o homem se comunica, se expressa ou vive experiências na sua individualidade. A música, por exemplo, está presente nas festas, igrejas, jogos, shows, manifestações e em outras áreas da vida. Ela está presente no coletivo e, também, na nossa individualidade, pois a ouvimos no carro, no quarto, estudando, lendo um livro, no fone para relaxar, louvando, para lembrar de quem tanto amamos ou alguém que estamos com saudade. É bem certo que a música é universal, está no senso comum. A música está na vida.

Um grande educador, chamado Ernst Fischer, fala que a Arte nos coloca em equilíbrio conosco e com o nosso meio. Nesse sentido, se faz necessário maior envolvimento com esta bela expressão final da Arte, a música. Não precisa ser afinado ou tocar algum instrumento, basta se abrir para ela. A Arte torna os nossos dias melhores, mais alegres, mais belos e mais emocionante.

O objetivo final da música não é de nos entreter, no entanto, claro, que alguns benefícios são consequências desse envolvimento. Com ela expressamos nossos sentimentos, transmitimos uma mensagem, contemplamos a beleza presente em seus acordes, ritmos, melodias e letra.

O Artista faz uso de um dos atributos presente primeiro em Deus: criar/criatividade. Criatividade essa, que nos foi dada pelo Criador Criativo, que nos criou à Sua imagem e semelhança. Por isso, somos criativos e criamos coisas boas e belas. Elas estão aí para contemplarmos: a música, pintura, escultura, o teatro, a dança dentre outras formas de arte. Então cante, pinte, faça uma poesia, dance, use a sua criatividade. Este é um conselho que não poderia deixar de dar a você. A arte, que está dentro de nós, permite-nos várias possibilidades de expressão. Logo, expresse-se!

Para fechar, deixe a arte dar o tom a emoção, permitindo que ela o ajude na dinâmica da vida. Você pode não saber, mas, desde as coisas mais planejadas até os improvisos da vida – as coisas mais simples – a Arte tem sido sua grande aliada.

Que o Criador Criativo o abençoe!
Clarindo Junior


 Música “Minha oração” de Gerson Borges, CD “Quero aprender a orar”.

ft gbA música “Minha oração” de Gerson Borges me proporcionou uma experiência muito legal. Não me contive e resolvi compartilhar esta linda expressão da linguagem humana. Quando a ouvi pela primeira vez, confesso que o sentimento de arrebatamento foi enorme. Parecia estar em uma via de mão dupla, no encontro entre céu e terra: Deus sentido à imanência e eu em direção à transcendência. É assim que acontece na oração, produzindo o maravilhoso encontro do Sagrado com o ser humano, de Deus com o homem e do transcendente com o imanente. Sobre isso Leonardo Boff disse que para ser tão humano assim, só sendo Deus. Um Deus que abre mão da Sua glória e vive intensamente a humanidade. John Stott vai dizer que esse “mover-se de Deus” em direção ao homem faz parte da livre iniciativa de graça divina. É Deus que vem em nossa direção. Ele não está alheio à nossa vida. Por isso, no ato de fé, por meio da oração, compartilhamos com Ele o nosso dia a dia, as coisas mais profundas do nosso ser.

Falando da música com foco na composição, gostaria de pontuar três aspectos: o primeiro é o técnico e posso dizer que é uma bela composição, uma das mais lindas que já ouvi. Ela tem uma harmonia muito bem trabalhada. Quem é quero aprender a orarmúsico pode confirmar isso. A beleza dela começa logo na sua “introdução”, que parece abrir o ouvido do nosso coração e os olhos do nosso ser para sua mensagem. O segundo aspecto é quanto ao conteúdo, assemelha-se aos salmos de lamento, onde o salmista por meio da poesia conta para Deus as suas dificuldades. A exemplo dos salmos de lamento – cf no Salmo 22, contar os problemas não significa fraqueza, mas numa atitude de grandeza olhar para dentro de si. Deus nos faz enxergar além dos problemas. Nessa perspectiva vivemos a experiência da resiliência. Olhar para dentro de si, para quem está em crise não é coisa fácil. É isso que o salmista nos encoraja. O terceiro aspecto se trata da forma. Esta música tem como acompanhamento um violão de aço com um tipo dedilhado bem peculiar do Gerson. Achei bem limpo o som dos acordes, mesmo com uma harmonia tão difícil de tocar. Abre-se mão de um arranjo com todos os instrumentos para o brilho de um violão de aço que casa perfeitamente com a melodia da canção.

Ouvi Gerson Borges cantar esta música no Teatro Municipal de Niterói. Estava esperando para ver como seria a interpretação ao vivo. Ele conseguiu com toda espontaneidade nos emocionar. Sei que se tratava da presença doce e maravilhosa do nosso Deus naquele lugar, um verdadeiro batismo do Seu amor. Ele é um Deus Criador Criativo que se revela por meio da Arte.

Há algum tempo queria escrever alguma coisa sobre esta música. Está aí. Não tive intenção de teologizar, simplesmente saiu do coração. Foi esse o sentimento tive quando ouvir “Minha oração”.

Forte abraço e que o Criador Criativo os abençoe.

Clarindo Junior


A busca pelo sentido da vida.

Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.
Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite mostra sabedoria a outra noite.
Não há linguagem nem fala onde não se ouça a sua voz.
(Salmos 19:1-3)

planetaO homem vive uma busca constante pelo sentido da vida. Ele tenta entender coisas que fogem da compreensão humana, que fazem parte de um universo com segredos jamais desvendados pela mente humana. Vivemos num mundo com dimensões magníficas: com cinco continentes, três mares com grandes profundidades, matas virgens jamais exploradas, uma diversidade de animais impressionantes e uma população de aproximadamente sete bilhões de habitantes. A verdade é que o homem atribui tudo isso a um processo de criação e, consequentemente, a existência de um Grande Arquiteto, do Incondicional, do Transcendente, de um Maestro regendo todas essas coisas. Logo surge uma pergunta que todas as gerações da terra tiveram que encarar: De onde viemos e para onde vamos? Quem nós somos? Quem criou o universo? Existe vida após a morte? Essas indagações são a busca do homem pelo sentido da vida, de sua origem e da sua existência.

Essa busca quase sempre nos remete a questão da religião, pois acreditamos ter um grande responsável por traz de tudo. Religião no latim é religio, que designava respeito, reverência pelo sagrado. Numa outra forma é religare, que significa religar o homem ao divino. É comum ao ser humano atribuir ao Sagrado, ao Uno Primordial, ao Ser Supremo questões como o princípio de todas as coisas. A teologia chama essa busca pelo sentido da vida e pelo Sagrado de “senso do divino”. Ela trabalha esse conceito no sentido de que o homem carrega dentro de si a presença, o sentimento, o senso do seu criador. Por isso o ser humano vive uma busca incansável pelas coisas referente ao sagrado. Logo novos surgem outros questionamentos: Como toda a criação se mantém em equilíbrio há tanto tempo? Como explicar a existência do universo?

Os cristãos creem que Deus, por meio da sua palavra (logos) criou todas as coisas. Segundo a narrativa de Gênesis 1.1-3, antes de tudo, o que existia era somente o caos, algo informe e vazio, um ambiente de muitas águas.

“No princípio criou Deus o céu e a terra. E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas. E disse Deus: Haja luz; e houve luz” (Genesis 1.1-3). Em João 1.1-3, o autor chama o ato da criação delogos. “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez”.

Vemos nesta narrativa a palavra que cria, a palavra que se personifica em Jesus, o Verbo que virou gente e que estava com Deus desde o princípio. Segundo o texto, por meio dele todas as coisas passaram a existir. É Deus imanente, é o Logos de Deus. A tradição cristã trabalha o logos como o princípio de toda a existência e aponta para Jesus Cristo como o sentido da vida humana.

Peter Berger fala que Deus, desde o início se revela ao homem, e tudo que o homem faz de bom é uma resposta em amor a essa revelação. Jesus Cristo é a maior imagemdemonstração da revelação de Deus a toda criação. É o próprio Deus que se esvazia da sua glória e se faz homem. Ele deixa a transcendência para viver a imanência. Deixa toda a sua glória para viver a experiência da humanidade. Em relação a isso Leonardo Boff escreveu: “Tão humano assim, só pode ser Deus”. Logo todo ato bom dos homens é uma resposta à ação primeira de Deus, que é coroada na pessoa de Jesus Cristo. As ações como bondade, misericórdia, compaixão nascem em Jesus e se estendem a nós. Jesus é o nosso modelo, o nosso referencial e sentido da nossa vida. Atos 17:28 nos traz essa linda confirmação: “Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos; como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois somos também sua geração”.

O senso pelo Sagrado, a busca pelo sentido da vida continuará sendo a busca incansável do homem pelos mistérios do Criador. A criatura olha à sua volta em busca do seu Criador, o finito tenta perscrutar os caminhos do Infinito, das coisas do Imensurável. Rudolf Otto traz algo interessante quando se fala da experiência do homem com o Sagrado. Para isso ele trabalha o significado de mysterium, tremendum et fascinans. É mistério porque se trata de algo que está para além da realidade humana; tremendo porque causa temor; e fascinanteporque é atraente, conquista e atrai para perto de si.

Agora, como tornar possível a relação entre homem e com o seu Deus? As escolhas de Jesus nos indicam como deve ser a nossa relação com Deus e com o mundo à nossa volta. O exemplo de vida de Jesus nos mostra que não é preciso subir às regiões celestiais nem acessar o sobrenatural para viver a experiência com Deus. É mais fácil do que imaginamos. O Filho já se revelou a nós, e o faz até hoje. Não se trata de um Deus tão poderoso que está bem distante de nós. Ele deixa de ser Senhor para ser servo e nos convida para algo mais íntimo, para ser nosso amigo (João 15.15). A melhor forma de experimentar a Deus é viver intensamente a humanidade, como ele mesmo fez. Diferente de muitos que querem ver a glória, a shekinah de Deus, Jesus faz o caminho inverso, ele deixa a glória pata viver a humanidade e servir aos homens. Portanto, se queres servir a Deus, faça como Jesus, sirva aos homens e estarás servindo a Deus.

Forte abraço e que o Criador Criativo os abençoe.

Clarindo Junior


 É chegado o “Reino de Deus”.

“Ora, depois que João foi entregue, veio Jesus para a Galileia pregando o evangelho de Deus e dizendo: O tempo está cumprido, e é chegado o reino de Deus. Arrependei-vos, e crede no evangelho”.  (Marcos 1:14-15)

 

“Reino de Deus” – expressão inaugurada por Jesus, e uma das mais faladas entre os cristãos. Ela aparece também diversas vezes no Novo Testamento, principalmente, nos evangelhos, e muitas ditas pelo próprio Jesus: “É chegado o Reino dos Deus” (Mc 1.15). É o próprio Deus que se esvazia da Sua glória, se torna homem e introduz o Seu reino na terra, pois nasceu o Salvador. Jesus, o Cristo (também conhecido como o Messias), aquele que redime o homem do pecado, viveu os seus dias aqui na Terra intensamente como homem, experimentou frio, fome, tristeza, alegria, chorou, entre outros. Fazia parte do seu modus vivendi (modo ou maneira de viver) conviver com alegrias e dores, colocando em prática o amor até as suas últimas consequências; sendo a maior expressão do amor de Deus pelo homem.

O grande escritor Leonardo Boff, em seu livro “Jesus Cristo Libertador”, nos deixa uma frase muito oportuna para o tema: “só sendo Deus para ser tão humano assim”. Na verdade, Jesus veio para estabelecer um reinado de igualdade entre ricos e pobres, doutores da lei e simples camponeses, um reino onde o maior serve o menor e vice-versa. Por onde Jesus passava, direcionava sua atenção para pessoas que ninguém queria cuidar, gente sem dignidade, sem vez e sem voz. Por isso, para o rei e os religiosos da época, Jesus parecia ser um representante político, pois sua mensagem reunia multidões, conquistando a confiança do povo. No entanto, despertava a desconfiança dos representantes políticos e religiosos da época: fariseus, saduceus e escribas, que começaram a impor-lhe grande perseguição e levantar dúvidas no meio do povo a seu respeito.

David Bosch em seu livro “Missão Transformadora”, muito nos ensina sobre a ação do reino de Deus, por meio de Jesus Cristo e do cristianismo relevante para o Seu tempo. A vida e missão de Jesus transformaram as grandes multidões em muito mais do que seguidores: discípulos convictos da obra redentora e da Sua chegada como o Messias tão esperado pelo povo.

Agora, o que é preciso para fazer parte do Reino de Deus? Quem pode fazer parte desse reino? Segundo o exemplo de Jesus, é preciso ser servo e discípulo. É preciso querer servir, se compadecer e amar sem escolher a quem. Vemos isso em Mc 10.43-45, quando Jesus disse aos seus discípulos: “Pois nem mesmo o Filho do homem veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos”.  Isso deixa claro que Reino de Deus é serviço, pois há muito para fazer. Jesus chama de discípulos aqueles que entenderam a Sua missão e por Ele é motivado a viver profundamente o amor.

Ser discípulo de Jesus requeria dedicação e entrega da própria vida. Ele utilizava o método de discipulado rabínico para ensinar aos seus discípulos os procedimentos do reino de Deus. No judaísmo antigo, o talmidim era o discípulo do rabino, um estudioso da lei. Ele tinha como prazer imitar o seu mestre e um dia também se tornar um mestre da lei. Os discípulos de Jesus aprendiam e se espelhavam em Jesus. Entretanto, o que os tornava diferente era que, depois de todo o conteúdo prático aprendido com Jesus, eles continuavam sendo servos. Seguir a Jesus não significa somente passar adiante seus ensinamentos, mas ser sua testemunha genuina. O estilo de vida de Jesus e sua compaixão pelas pessoas produziam muitos discípulos por onde Ele andava. Em Mt 6.34 nos traz um exemplo muito peculiar dessa compaixão: Quando Jesus saiu do barco e viu tão grande multidão, teve compaixão deles e […] ensinou-lhes muitas coisas”. Compaixão significa sentir a dor do outro. Era isso que tornava Jesus diferente dos religiosos de sua época. Quando colocamos isso em prática, o cristianismo se torna relevante em nossas vidas e no contexto em que estamos inseridos.

Na sua passagem pela Galileia, Jesus, além de pregar nas sinagogas, expulsava muitos demônios. Nesse ínterim, Jesus realizou mais um dos Seus milagres, curando um leproso com apenas um toque. Imagine o que significou para aquele leproso receber o toque de Jesus. Naquela época, o leproso não podia caminhar em meio ao povo nem levar seus sacrifícios ao templo. Restava-lhe andar pelos arredores da cidade, refugiado do convívio social. O toque de Jesus, além de curá-lo do seu mau físico, o curou dos seus traumas e complexos, reintegrando-o à sociedade. Em Mc 1.41, relata que após ficar curado, aquele homem foi ao templo, totalmente limpo, levar sacrifícios de gratidão pela sua purificação.

Viver o Reino de Deus é olhar para o ser humano como Jesus olhou para aquele leproso, com um olhar de compaixão e puro amor. É preciso ver o ser humano de forma integral, todo o amor de Deus alcançando o homem na sua integralidade. Jesus Cristo veio devolver àquele homem a sua dignidade, reestabelecer relacionamentos, trazendo-lhe de volta a autoestima, para um homem que há muito tempo vivia a margem da sociedade. Se, portanto, indagássemos a esse homem sobre o reino de Deus, certamente ele responderia: “É chegado o Reino de Deus”.

Forte abraço e que o Criador Criativo os abençoe.

Clarindo Junior


No vai e vem das ondas…

img1Este tema nos remete ao texto bíblico de Mateus 8,23-27, em que Jesus e seus discípulos, ao atravessarem o Mar da Galileia, também conhecido como Lago Genesaré, são surpreendidos por terrível tempestade. Escolhi este tema, pois, acredito que nas tempestades, no vai e vem das ondas somos levados a grandes aprendizados e mudanças significativas na nossa vida. João Ferreira de Almeida, ao traduzir esta perícope colocou como tema “Jesus acalma a tempestade”. A narrativa bíblica nos mostra que, após Jesus ter entrado no barco, os seus discípulos O seguiram. Vemos nos Evangelhos que seguir a Jesus era algo muito comum, coisa que não só os discípulos faziam, mas uma grande multidão de desesperançosos com o governo e autoridades judaicas da sua época, muitos que precisavam de um milagre, e mais aqueles que criam na Sua proposta de vida e missão.

No versículo 24, vemos que a tempestade aparece logo depois que os discípulos resolveram segui-Lo, e entraram no barco. Talvez para Jesus e Seus discípulos, a tempestade seria a travessia para o “outro lado”, considerado por eles um território estranho e de gente “impura”. Ir para lá significava se expor a alguns perigos, dentre eles, encarar o endemoninhado geraseno, o primeiro vento forte. Ao levantar dos ventos e balançar das águas, eles logo chamam por Jesus. O engraçado é que, quando eles olham para o lado, percebem que Jesus dorme despreocupadamente um sono tranquilo. Eles devem ter se perguntado: “Como Ele consegue dormir em meio ao mar tão revolto, ondas que sacodem o barco a ponto de quase virá-lo e ventos que causam arrepios até na alma?” Em seguida, desesperadamente eles gritam: Mestre, salva-nos! Mas, como assim? São experientes pescadores, pedindo a Jesus que os ajude em meio ao vai e vem das ondas? De repente o inesperado acontece, Jesus acalma a tempestade, e fez-se grande calmaria.

Esse texto nos leva a algumas reflexões preciosas: primeiro, quando os discípulos resolveram seguir a Jesus grande tempestade se levantou. Você percebe que, quando eles resolveram atravessar para o outro lado, a tempestade foi o grande obstáculo da vida deles. Ela vem com seus ventos e ondas com tamanha força, que parece querer pará-los a qualquer custo, submergindo o barco. Aprendemos aqui que só as grandes travessias têm grandes tempestades. É preciso encará-las. Segundo, a vida com Jesus não significa ausência de problemas, ou promessa de bem estar o tempo todo. Contudo, é visível a presença e a companhia de Jesus, que tem o domínio sobre o vento e o mar, até mesmo das turbulências da vida. Aprendemos que é melhor a experiência a tempestade com Jesus do que a calmaria de uma vida insossa e sem desafios. Terceiro, não podemos permitir que as tempestades desfaleçam a nossa fé, elas existem para nos fortalecer e tornar-nos homens melhores. A fé é um dom divino, logo precisamos pedir o Seu auxílio nos momentos difíceis. Estejamos convicto de que no barco da nossa vida está Jesus, alguém a quem até o vento e o mar o obedecem. É certo que fortes tempestades sempre existirão na nossa vida, mas saiba, portanto, que no vai e vem das ondas, a fé em Jesus é o fator determinante para alcançarmos a tão desejada paz” 

Forte abraço e que o Criador Criativo os abençoe.

Clarindo Junior


A Palavra que cria e gera vida

Não é difícil olharmos admirados as fontes naturais que nos rodeiam como: sol, lua, montanhas e outros tão admiráveis. Logo pensamos na criação do Cosmos (do grego κόσμος “universo”) e nos perguntamos como poderia ter sido esse processo. O livro de Gênesis nos capítulos 1-2.4a nos apresenta a História das Origens, na qual Deus (Elohim) decide criar todas as coisas. Faz parte desse projeto de criação: céus, terra, árvores, animais, noite e dia, luz e coroando a criação, homem e mulher. Nesse cenário de formação de todas as coisas, Deus deixa rastros divinos, marcas de um Deus inteligente, criador por excelência e dono do maior projeto arquitetônico de todos os tempos.

Estamos diante da narrativa bíblica chamada Cosmogonia, que vem de κοσμογονία, palavra grega que significa nascimento do universo (κόσμος “universo” e γονία “nascimento”). Estamos falando do nascimento de todas as coisas. Deus, o nosso maestro e grande arquiteto cria a partir do caos, ou seja, de um ambiente sem forma, destituído de vida, um lugar de muitas águas. Diante desse ambiente sem forma traz a existência tudo o que há no mundo. É difícil imaginar o universo sendo formado a partir de algo informe, mas nas mãos de Deus é como madeira nas mãos do carpinteiro, ouro nas mãos do ourives e barro nas mãos do oleiro. Assim Deus faz: transforma o caos em cosmos.

A partir da Sua palavra (logos), Deus cria progressivamente todas as coisas, primeiro Ele prepara os ambientes, depois toda forma de vida e, finalmente, cria o homem e a mulher com suas próprias mãos. Paul Tillich em sua teologia Sistemática aborda sobre a “Teologia da Palavra”, seria a palavra falada. À medida que Deus falava, as coisas iam se formando, cada uma no seu devido lugar.

Nesse processo de criação, vemos um plano perfeito e características que só encontramos em Deus. Ele trazer à existência todas as coisas, deixando-as em perfeito equilíbrio e pleno funcionamento. Só a Sua palavra cria e gera vida num ambiente sem perspectiva. Vale ressaltar alguns elementos que nos chamam atenção nessa criação.

A partir do caos, Deus dá início a todas as coisas – A palavra de Deus tem o poder de criar qualquer coisa. Deus fala e, simplesmente, acontece. Deus não precisa falar duas vezes. Quando Ele diz, o cenário de desordem passa a ter ordem. Somente Deus na ausência de vida pode gerar vida.

Deus é organizado e estratégico na Sua maneira de criar –  Entre os vs 3 ao 27, percebemos a estratégia de Deus em todo o processo. No vs. 11 relva e árvores frutíferas só foram criadas depois da criação da terra, confira no vs. 10. Outro exemplo são os peixes criados entre os vs. 20 e 21. Entretanto, isso só foi feito depois da criação dos mares no vs. 10. Finalizando a criação, Deus cria homem e mulher, mas depois de ter criado as outras coisas necessárias para sua sobrevivência.

Deus deu ao homem o “governo” com toda a criação – Em Gn 1.26, Deus entrega ao homem a responsabilidade de governar com todas as coisas. Mas, um governar com cooperação, sem subjugar. Isto coloca sobre o homem incumbência de cuidar da criação, reproduzindo o modelo de Deus.

Nessa narrativa bíblica é possível extrair alguns ensinamentos para nossa vida. À medida que mergulhamos no texto percebemos como é tão atual para os nossos dias. Esta forma tão organizada de criar aponta para um Deus que sonha, projeta, cria, abençoa e dá à sua criação a manutenção da vida. Vamos pontuar alguns elementos importantes para nossa fé:

O Criador tem total controle sobre sua criação – No vs. 1 vemos que foi Deus quem criou todas as coisas. Sendo Deus o criador, Ele tem total controle sobre sua criação, não havendo nada que o pegue de surpresa. Logo, Deus pode todas as coisas sobre sua criação, inclusive, intervir sobre qualquer situação aparentemente sem perspectiva de mudança. Todos os desejos e sonhos precisam ser colocados diante daquele que tem total controle sobre a vida humana.

Quando Deus diz, simplesmente acontece – No vs. 3 ao 25 Deus diz: “haja… houve” e  “produza… produziu”.  Alguns estudiosos apontam para a chamada “Teologia da Palavra”. Basta uma palavra de Deus para as impossibilidades da vida se tornarem possíveis. Isso nos indica que, quando perdermos o controle das coisas e se estabelece um clima de desespero, existe um Deus (Elohim), que com apenas “uma Palavra” pode mudar qualquer situação.

Criados à imagem, conforme a semelhança de Deus – Não se trata de semelhança física, mas implica em semelhanças que refletem os atributos do próprio Deus, que a teologia chama de atributos comunicáveis. Isso significa que só conseguimos amar, porque Deus nos amou primeiro, sendo então, o amor que sentimos uma extensão do Seu amor. Nesse sentido, a fidelidade que praticamos, o amor que dedicamos, a justiça exercida, uma ação de misericórdia, a bondade e a sabedoria são expressões dos atributos divinos. isso só é possível porque o homem carrega em si o DNA de Deus.

Tudo quanto Deus faz é bom – No vs. 28 Deus após criar homem e mulher os abençoou. Imagina-se que Deus após criar todas as coisas, consagrou-as num ato de satisfação. Deus por vontade própria e desejo do Seu coração faz todas as coisas e se alegra com os seus feitos. Vemos isso no versículo 31a “Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom…” Somos a excelência de toda a criação e especiais aos olhos do Senhor.

O Deus que cria é o mesmo que mantém – Nos vs. 29 e 30, Deus providencia todo o mantimento necessário para o sustento do homem. Vemos que Deus cria o homem depois que toda estrutura para sua sobrevivência está estabelecida. “…toda a erva que dá semente sobre a terra, e todas as árvores frutíferas lhe servirá de mantimento”. Isso significa que a roupa, o alimento, a moradia não faltará, pois tudo o que Deus criou nos servirá para a manutenção da vida.

Diante de tudo que já vimos até aqui, percebemos que toda a criação é especial para o seu Criador. Vimos também como a História das Origens nos motiva diante dos desafios e surpresas da vida. A cada dia percebemos como está difícil viver no nosso planeta. A ação humana vem mudando o que foi estabelecido por Deus, trazendo consigo catástrofes, doenças, guerras e tantas outras coisas. Não podemos perder a esperança, pois perseverar é preciso. É preciso rever a nossa cosmovisão, repensar a postura diante de tudo que Deus nos deu para juntos governarmos. Mesmo que a esperança pareça acabar, podemos alimentá-la na visão de João, escrita em no livro de Apocalipse, capítulo 21, onde Deus o mostra novo céu e nova terra, porque o primeiro céu e a primeira terra se passaram. Mesmo com o fim de todas as coisas, a nossa esperança precisa estar em Deus, pois só Ele tem “a Palavra que cria e gera vida.”

Forte abraço e que o Criador Criativo os abençoe.

Clarindo Junior


Leia uma poesia ou cante uma canção. Deixe a arte dar o tom e emoção à sua vida.

Como é bom procurar aquilo que nos dê satisfação na vida, que nos enche o coração de paz e traga leveza na alma. Isso coloca sorriso na face de Deus.
Voz e violão me fazem sentir de forma simples esses efeitos extraordinários da música. Primeiro, vem uma  alegria indescritível, mas não passageira, que mesmo em meio aos trancos da vida, traz realização e felicidade.

Comigo acontece assim, pego um violão e começo a dedilhar. Em seguida componho a harmonia, melodia e letra. De repente, percebo que terminei. Tá lá uma música pronta, que parece estabelecer conexão entre o interior e concreto, entre o ideal e a realidade, entre a transcendência e a imanência.

Muitos dizem e eu também acredito, que a música tem um poder de cura muito grande.
Ela liberta, alegra, encanta, acaricia, louva, transmite uma mensagem, expressa sentimentos e ideais.

Segue uma sugestão de quem ama a arte: toque, cante, pinte, interprete, escreva, dance. Deixe a arte dar emoção à sua vida.

Forte abraço e que o Criador Criativo os abençoe.

Clarindo Junior


Eu amo compor canções que falam de amor.

A música é uma das lindas expressões artísticas dada por Deus. Ela faz parte da linguagem humana. Com ela nos comunicamos com o mundo, expressarmos os nossos sentimentos e nos emocionamos, quase sempre que a ouvimos. Como qualquer coisa na vida, assim é a música: deve ser feita com muito amor e toda dedicação. E nessa tarefa, o coração é um aliado indispensável.

É sempre bom ouvir canções que falam de amor. A letra desta canção nos desafia a viver de forma relevante o amor. O amor que nos ensina que “ser” é mais importante do que “ter”; que devemos amar as pessoas e gostar das coisas. O cristianismo do I século nos traz em suas narrativas bíblicas, um grande exemplo de amor a ser seguido. Jesus, que a todo momento doou sua vida em favor de muitos. Esse é o perfil de amor a ser seguido.

Faz parte da vida dedicar amor, compartilhar conhecimento, fazer um carinho, doar tempo e bens. Como está escrito na parte final da música: “Ouvir a voz do coração, se envolver com o coração, deixar morar no coração, fazer pulsar o coração”. Jesus certa vez foi interrogado por um doutor da lei, sobre qual seria o grande mandamento. Ele respondeu: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o seu coração […] Amarás o teu irmão como a ti mesmo. (Mt 22.37-39) Por isso eu digo: “Eu amo compor canções que falam de amor, que ouve a voz do coração. ” Assista o vídeo abaixo com essa perspectiva.

Forte abraço e que o Criador Criativo os abençoe.

Clarindo Junior

Evento: H2O – Happy Hour Oásis

 

EU AMO COMPOR CANÇÕES

Eu amo compor canções que falam de amor
Que ouve a voz do coração
É hora de estender a mão, mudar de vez a direção
Temos que ser ao invés de ter.
Ouvir a voz do coração, se envolver com o coração
Deixar morar no coração, fazer pulsar o coração.

Jesus com a vida ensinou, melhor é dar que receber
Doar a vida e muito mais
Muitos precisam perceber que há um calor dentro de nós
Nos faz chorar, pisar no chão.
Ouvir a voz do coração, se envolver com o coração
Deixar morar no coração, fazer pulsar o coração.


Adson Sodré: “A chance da minha vida!”.

Adson Sodré, músico cristão, casado, baiano de Jequié, onde nasceu e por influência da sua família teve seu encontro com a “música”. Com cinco anos de idade lá estava Adson com sua guitarra fazendo seus primeiros acordes e solos nos cultos da igreja. Passou a sua adolescência em Governador Valadares, onde aprimorou suas técnicas como guitarrista e morou durante anos.

Em 2000 retornou para sua cidade natal, dando início a banda “Promesa D”, com a qual gravou três CDs, e tempos depois formou a banda “Speed Plain”, um trabalho de música instrumental, com ênfase no rock progressivo. Vale ressaltar que as músicas do Promessa D e Speed Plain são de sua autoria.

Com grande experiência musical, Adson já participou da gravação de grandes nomes da música evangélica brasileira. No seu estúdio, já produziu CDs de vários cantores, bandas e grupos vocais. Além de ser um ótimo arranjador instrumental, tem enorme bom gosto para arranjos vocais. Clarindo Junior teve o prazer de ter Adson como produtor musical do se CD “Por toda vida”, escrevendo todos os arranjos, além de tocar vários instrumentos no álbum.

Dia 28 de abril de 2012, a vida desse grande guitarrista mudou bastante, pois essa foi a data em que ele participou audição chamada “Chance of a lifetime”, uma chance de se tornar o guitarrista da banda de Neal Morse, grande nome do rock progressivo mundial. Segundo Adson, essa foi a chance da sua vida. É, amigos, ele foi aprovado na audição. Hoje o brilho e o som da guitarra de Adson Sodré estão nos palcos do mundo. Deus continue abençoando a vida desse grande músico e que seus acordes e solos encantem a muitos.

Maiores informações desse processo veja a entrevista que ele concedeu a Revista Guitarload, ou acessando seu próprio site de Adson Sodré.